O Venerável Bartholomäus Holzhauser (1613-1658) ou a restauração da Realeza social de N.S. Jesus Cristo

 

Bartolomeu Holszhauser (esquerda), Johann Philipp von Schönborn (centro) e Rei Charles II da Inglaterra (direita). Pintura contemporânea.

 

Nicola Dino Cavadini

[Tradução: Gederson Falcometa]

 

O Venerável Bartholomäus Holzhauser nasce de família pobre em Longnau, nas proximidades de Augusta, na Baviera, em 24 de agosto de 1613. Abraça a carreira eclesiástica durante o trágico período da guerra dos Trinta anos (1618-1648) decide fundar, para socorrer as gravíssimas condições espirituais do seu país, uma congregação de clérigos seculares formando vida comum, conhecidos como Bartolomitas. Inocêncio XI lhe aprovou a regra em 1680. O fundador morre em odor de santidade paróco de Bingen, na diocese de Mongúcia, em 20 de maio de 1658, onde repousa na Igreja da Santa Cruz.

 

Hozhauser todavia é ainda mais notável por uma “obra publicada pela primeira vez em Bamberga em 1784: Interpretatio in Apocalypsin, por alguns considerada o melhor produto daquela corrente exegética que vê no Apocalipse de S. João a narração simbólica da história da Igreja”. Holzhauser, singularmente dotado do dom da profecia, deu mão ao comentário depois de 1649 enquanto se encontrava no Tirol, “em continua oração por dias inteiros, privado de comida e bebida” e “separado de todo consórcio humano”.

O autor se insere então no interior de uma linha hermenêutica assaz antiga, com o claro entendimento de indicar aos contemporâneos como a restauração católica, falida depois da má conclusão da guerra dos Trinta anos, foi adiada no tempo. Deus, que precisamente falou a respeito dos acontecimentos de sua Esposa mística, a Igreja, no Apocalipse, determinou realmente uma época da história em que a Monarquia de Cristo dominará sobre toda a terra, sobre todos os seus inimigos internos e externos.

A paz de Westfalia de 1648, de fato, julgada por Holzhauser “danosíssima contra a Cristandade e a Igreja Católica”, não só reconfirmou e legitimou a divisão da Alemanha entre regiões luteranas e católicas, mas piorando a condição precedente, reconhece além disso, oficialmente também o calvinismo, que do conflito foi a causa desencadeadora. A heresia em suma conseguiu sair vitoriosa e se tinha estabelecido firmemente no coração do império, apesar dos esforços dos Imperadores Habsburgos, sobretudo de Ferdinando II (1619-1637) muitas vezes elogiado pelo autor, de recuperar para a Igreja a inteira Alemanha.

I

A “Interpretatio in Apocalypsin

Os capítulos 2 e 3 do Apocalipse trazem as sete cartas escritas pelo Vidente às sete Igrejas da Ásia. Comentando estas passagens, Holzhauser enuncia os princípios do seu método exegético. Uma vez que o número ‘sete’ indica universalidade, as sete Igrejas representam as sete épocas da história da Igreja até o fim do mundo. Além disso, retomando conceitos de agora em diante notórios, o autor prossegue:

“Estas sete épocas corresponde aos setes dias do Senhor, em que ele operou, as sete idades do mundo, e aos sete espíritos enviados pelo Senhor no dia de Pentecostes sobre todo homem. Como verdadeiramente o Senhor Deus encerra em sete dias e sete idades o percurso de todas as gerações e coisas naturais, assim levará a cumprimento a regeneração [sobrenatural] em sete épocas da Igreja, em algumas das quais infundirá e fará florir diversos gêneros de graças para mostrar as riquezas da sua glória […]. Pelo que, apesar da Igreja de Cristo ser uma só, todavia, se distingue em sete épocas em virtude das grandes empresas, que nos diversos tempos, até o fim do mundo, lhe sucederão por disposição divina. Além disso, toda época sucessiva costuma começar já antes do fim daquela que a precede, e enquanto esta pouco a pouco vai decrescendo, a outra a substitui para depois enfim prevalecer.”

 II

As sete épocas da Igreja segundo Bartolomeu Holzhauser

 

A primeira época é aquela representada pela Igreja de Éfeso (Ap 2, 1-7). É a época que vai do nascimento de Cristo a primeira perseguição geral promovida pelo imperador Nero (66 d.C.). Este período é definido pelo autor “seminativus”, porque Deus plantou a sua vinha, a Igreja, em Jesus Cristo. Como no 1º dia da Criação Deus separou a luz das trevas, desse modo nesse primeiro temo a Igreja a luz da fé começou a brilhar no mundo envolvido nas trevas da idolatria. A esta primeira época corresponde aquela do mundo que vai de Adão até a Noé, em que se teve a propagação do gênero humano “segundo a carne”, como naquela da Igreja se teve a geração “segundo o espírito”, ou seja, a regeneração sobrenatural. O dom próprio do Espírito Santo desta época é a Sabedoria. A causa que colocou fim a esta primeira idade eclesiástica foi a difusão das primeiras heresias, maiormente aquela dos nicolaítas (Ap 2,6).

A segunda época (66-312 d.C.) representada pela Igreja de Esmirna (Ap 2, 8-11) é aquela dos Mártires, e corresponde as dez perseguições gerais que se concluem com as conversão de Constantino, o Grande em 312. Este período da Igreja é definido pelo autor “irrigativus”, porque o sangue dos SS. Mártires misticamente pulverizou e irrigou a Igreja plantada por Jesus e pelos Apóstolos no primeiro estado. Esta época corresponde ao segundo dia da Criação, quando Deus fez o firmamento no meio das águas: “Este firmamento prefigura o firmamento, isto é, a fortaleza dos mártires, já que Deus lhes colocou no meio das águas de todas as tribulações.” Além disso, com seu heroico sacrifício foi estabelecido o céu estrelado, isto é a Igreja. Na segunda idade do mundo, que vai de Noé a Abraão, a humanidade começou a oferecer a Deus os sacrifícios, assim nesta correspondente da Igreja os mártires se oferecem em sacrifício para testemunhar a fé católica. A essa idade se adéqua o dom da Fortaleza.

A Igreja de Pérgamo (Ap. 2, 12-17) é figura do 3º estado da Igreja, aquele que de Constantino, o grande e S. Silvestre I chega a Carlos Magno e Papa S. Leão III (313-800 d. C.). Esta época é aquela “illuminativa” dos grandes Padres e Doutores da Igreja, que investigaram e definiram os principais dogmas cristológicos e trinitários. O dom do Espírito Santo é aquele do Intelecto. No terceiro dia da Criação as águas se retiraram das terras, assim, graças a Constantino, as águas das perseguições cessaram de inundar a Igreja. Começaram além do mais a germinar sobre a terra as árvores (os santos Doutores), a erva verde (os batizados) e a dar fruto as plantas (isto é, a Igreja começou a possuir bens com tranquilidade para desenvolver a sua missão evangelizadora). Em suma, a Esposa de Cristo se embeleza mais pela sapiência de seus Doutores, também pela aliança estabelecida com a potestade temporal do Império Romano. A terceira época do mundo, a qual corresponde, é aquela que vai de Abraão a Moisés. Como então os sodomitas, depois os egipcianos e todos os inimigos do povo eleito foram derrotados, assim agora a Igreja depois do tempo dos mártires é conduzida a terra da paz. E como Moisés dá a lei, assim a Cristandade se deu uma legislação sacra (Cânones e grandes Concílios ecumênicos) e civil (o Corpus de Justiniano).

A quarta condição da Igreja a partir de Carlos Magno e Leão III sumo Pontífice durou até Carlos V e Leão X [800-1517], durante a qual floresceram muitos santíssimos Reis, Imperadores e   Eclesiásticos por doutrina e santidade claríssimas, e não  surge alguma heresia por mais de 200 anos” [800-1050]. Pelo que essa época é justamente chamada pacífica e  iluminativa.” No quarto dia o Criador fez o sol, a lua e os astros, assim nesta idade pois  no firmamento da Igreja “prudentíssimos e santíssimos Reis, Imperadores, Príncipes e homens eclesiásticos exímios pela vida e  santidade”. O dom da Piedade é aquele próprio de tal período, que corresponde  além do mais a idade do mundo que de Moisés chega a paz do reino de Salomão com a perfeição no ordenamento do culto divino.  “Derrotados de fato os tiranos pagãos,  esmagadas as trevas dos heréticos, se repousou a Igreja na perfeita cognição da verdade da fé católica fortissimamente consolidada e defendida pelo poder dos Príncipes e dos Reis.” É notável a percepção que demonstra o autor nestas páginas da unicidade e particularidade da civilização cristã medieval como modelo jamais igualado do Reino social de Cristo.

Depois de ter descrito em seguida, com singular profundidade psicológica o lento declínio realizado naquela civilização, vemos introduzida a quinta época da Igreja. Comentando os primeiros seis versículos do capítulo III do Apocalipse, dedicados a Igreja de Sardes, assim se exprime o Venerável Holzhauser:“A quinta época da Igreja começou sob Carlos V Imperador e Leão X Sumo Pontífice entorno do ano 1520. Durará até o Pontífice Santo e aquele famoso e poderoso Monarca que deverá vir no nosso tempo e será chamado “ajuda de Deus”, já que restaurará cada coisa. Esta época de aflição, desolação, humilhação e pobreza da Igreja, que é justamente chamada “purgativa”, durante a qual Cristo Senhor provou e ainda provará o seu grão por meio de guerras assustadoras, revoltas, fomes, pestes e outros males horríveis. E ainda: “Este quinto período da Igreja é um período de aflição, período de assassínio, de defecção, e pleno de todas as calamidades, e permaneceram poucos sobre a terra poupados da espada, da fome e da peste; reino combaterá reino contra reino; enquanto outros, divididos em si mesmos, irão se arruinar; os principados e as monarquias serão destruídas e quase todos empobrecerão, e a desolação sobre a terra será máxima; coisas já cumpridas em parte e que ainda devem se cumprir.

A Igreja católica, depois do lento outono do medievo nos séculos XVI e XV vê explodir a heresia luterana, que em pouco tempo e multiplicando-se em outras inumeráveis seitas, subtrai grande parte da Europa a verdadeira fé, ao Papado e ao Império. Para esta quinta idade se adapta o dom do Conselho (Concílio de Trento). A quinta época do mundo, se Salomão a queda de Jerusalém, com a destruição do Templo e o cativeiro babilônico, lhe é a prefiguração. Como, depois da morte de Salomão, parte do povo hebreu defeccionou da monarquia davídica e da verdadeira fé, caindo na idolatria, assim agora parte dos povos europeus abraçaram a heresia, enquanto do exterior, novo Assur, o Turco bate as portas. O Império Romano agora está dividido e desorganizado por dissensões, e existe o grande perigo, que caia completamente em ruína. No 5º dia Deus pôs sobre a terra répteis e aves, símbolo, segundo o autor, daquela falsa liberdade de consciência e religião que é o grande mal do tempo.

 

III

O potente Monarca e a Restauração (6a época)

“A sexta época da Igreja tem seu começo no potente famoso Monarca e no santo Pontífice e durará até o nascimento do Anticristo. Esta será aquela da consolação, na qual Deus consolará a sua Santa Igreja das aflições e grandíssimas tribulações, que deveria sofrer no quinto tempo. De fato, todos os povos retornarão a unidade e ortodoxia católica, e florescerá ao máximo o grau clerical e o sacerdócio, e todos os homens buscarão o Reino de Deus e a sua justiça. Deus verdadeiramente dará a eles os seus bons pastores, onde então os homens viveram em paz, cada um sob a sua videira e no seu campo, já que existirá a paz sobre a terra, que o Senhor Deus dará então aos homens com ele reconciliados sob as asas do potente Monarca e dos seus sucessores.

Esta condição da Igreja (a Igreja de Filadélfia do Apocalipse, III, 7-13) corresponde a época do mundo que vai da restauração do Templo até o nascimento do Redentor sob o Império de César Augusto. Para além dos paralelismo que o comentador inspirado, fiel ao seu sistema, estabelece com a tipologia deduzida da Sacra Escritura, aquilo que verdadeiramente atrai a sua atenção é a figura deste poderoso Monarca (o magnus Dux das profecias medievais) que será instrumento privilegiado empregado por Deus para restabelecer a Igreja e a civilização cristã sobre seus divinos fundamentos: “Assim, Deus no sexto tempo consolará a Igreja católica com a  maior das consolações, uma vez que, embora na quinta idade existiram em todos os lugares as maiores calamidades, enquanto tudo está devastado pela guerra, os Católicos são oprimidos pelos heréticos e pelos maus Cristãos, a Igreja e os seus ministros são subjugados, são subvertidos os Principados, os Monarcas são mortos e os súditos se rebelam, e todos conspiram erigindo Repúblicas; todavia, haverá uma maravilhosa mudança operada pela mão de Deus onipotente, que ninguém pode humanamente imaginar. De fato, aquele potente Monarca, enviado por Deus, que deverá vir, destruirá as Repúblicas pelo fundamento, submeterá cada coisa a si e zelará pela verdadeira Igreja de Cristo; todas as heresias serão expedidas para o inferno, o império dos Turcos será abatido e ele reinará no Oriente e Ocidente; todos os povos virão adorar o Senhor Deus na verdadeira fé Católica e conforme os dogmas; florescerão muitíssimos homens justos e doutos sobre a terra, e os homens amarão o juízo e a justiça; a paz estará sobre toda a terra, já que a divina potestade vai amarrar Satanás por muitos anos, etc  até que não venha, aquele que deve vir, o filho da perdição [o Anticristo] quando de novo Satanás será  solto,etc.” Nesta época feliz da Igreja “existirá amor, concórdia e uma grandíssima paz, e o potente Monarca visitará quase todo o mundo como a sua herança e o liberará com a ajuda do seu Senhor Deus de todos os inimigos, de toda ruína e de todo mal.

Comentando depois o versículo 8 do mesmo capítulo do Apocalipse, o Venerável Holzhauser especifica maiormente as características desta feliz época da Igreja. A doutrina católica resplandecerá em maneira excelsa, máxima na compreensão dos textos sagrados. Para este fim “será celebrado o maior Concílio geral de todo o mundo, em que por singular graça de Deus, em virtude do poder do Monarca, sob a autoridade do Sumo Pontífice, e em união com os piíssimos Príncipes, toda heresia e ateísmo será proscrita e banida da terra e o sentido legítimo da Sagrada Escritura virá declarado contra todas as seitas heréticas e proposto a crer, ao qual se aderirá, tendo Deus aberto as portas da sua graça.” Além disso, um grande número de povos entrará no redil da Santa Igreja, cumprindo-se então aquilo que escreve S. João no Cap. 10 do seu Evangelho: Existirá um só pastor e um só rebanho. Grandiosíssimo será consequentemente o número daqueles que se salvarão e gozarão da beata eternidade no Paraíso, diferentemente daquilo que adveio na quinta época quando a grege de Cristo era “exígua, vil, desprezada e humilhada” e durante a qual a maior parte dos homens se danavam.

Então, o autor da obra acena para aqueles homens de excepcional santidade de que Deus se servirá para introduzir o mundo naquele período de triunfo da fé: “ Ao aproximar o fim dos tempos do quinto período ainda perdurante, surgirão [aqueles servos de Deus] em modica virtude [desprovidos de cargos ou autoridade na Igreja, e sem riquezas] e, quando os homens negarem a fé pelas riquezas, e os ministros da Igreja abandonarem o celibato por causa dos prazeres carnais e da beleza atrativa das mulheres, e o diabo estiver quase solto em toda parte, e uma grandíssima tribulação recrudescer sobre a terra, aqueles  unidos fortissimamente neste tempo conservaram o seu principado e se custodiaram imaculados por este século, por isso serão vis para os homens e desprezados e considerados em ludibrio. Mas a benignidade do nosso salvador Jesus Cristo olhará a sua paciência, indústria, constância e perseverança e lhes recompensará nesta sexta época sustentando os seus esforços na conversão dos pecadores e dos heréticos.”

O Último e sétimo estado da Igreja é aquele do nascimento do Anticristo, através de seu domínio sobre o mundo e a apostasia geral, chega até ao extremo Juízo e o fim dos tempos. A caridade começando a esfriar-se pouco a pouco sobre o fim da época precedente, por causa dos pecados da humanidade, vão se preparar as condições para que o Anticristo possa operar. No sétimo dia do mundo Deus descansou, assim nesta sétima época da Igreja, Jesus Cristo levará a cumprimento a sua obra espiritual e se repousará na eternidade do paraíso com os seus eleitos. A sétima idade do mundo coincide com a sétima época da Igreja, uma vez que, seja o mundo ou a Igreja militante sobre a terra, segundo os decretos infalíveis de Deus, devem chegar ao seu fim. O dom do Espírito Santo próprio da Igreja na sétima época é aquele da Ciência.

IV

Ainda sobre o potente Monarca

 

O autor nos capítulos sucessivos, interpretando a visão onde aparece o livro com os sete selos (Apocalipse, 5-6-7-8) enriquece ulteriormente o esquema exposto precedentemente. Segundo o Venerável Holzhauser, as visões reveladas pela abertura dos primeiros selos se referem a eventos de destaque na Igreja dos primeiros séculos, respectivamente: aquela do 1º selo a difusão da Igreja apostólica entre os judeus e os gentios, o 2º a primeira perseguição de Nero, o 3º a destruição de Jerusalém operada por Tito, o 4º a terrível perseguição de Domiciano, no 5º estaria ao invés representadas as perseguições sucessivas, e na 6º visão fina de Diocleciano, pouco antes da conversão de Constantino, com que se encerra a idade dos mártires.

 

Com o quebrar-se do lacre do 7º selo, se mostra a S. João uma visão muito mais complexa, de que são protagonistas sete anjos que doam a trombeta, o último dos quais é precedido por um anjo “forte” que desce do céu (Apocalipse 10,1).

       Na interpretação de Holzhauser os primeiros sete anjos representam os principais heresiarcas que se insurgiram contra a Santa Igreja, e precisamente Ário o 1º, o 2º Macedônio, o 3º Pelágio, o 4º Nestório, o 5º O Imperador Valente (o maior de todos os defensores da heresia ariana) e no 6º, enfim, Martinho Lutero, a quem é dedicado um longo e circunstanciado comentário dos versículos 13-20 do cap. 9 do texto sacro.

Antes de concluir a exegese desta visão, dedicada a figura, ao reino e a derrota do Anticristo, com o sétimo anjo que soa a trombeta anunciando o Juízo final, o pio escritor retorna a falar do tema a ele caro, a Restauração da Igreja na sexta época com o grande Monarca, no comentário ao capítulo X do Apocalipse focalizado sobre o forte Anjo que desce do céu.

O espírito angélico, segundo o comentador, além de representar em figura o poderoso restaurador que deve vir, é também um “um verdadeiro anjo e de natureza prestantissima, ou seja, o anjo da guarda e o protetor do Império Romano”. Este anjo revela então ao Vidente de Patmos novos particulares sobre o grande instrumento que Deus escolheu para reparar os estragos da sociedade apóstata e corruptora: ele “será – em primeiro lugar – completamente contrários aos supracitados hereges [os protestantes] e ao seu heresiarca [Lutero]; observará a sã doutrina, e zelará sobretudo somente pela ortodoxa fé Católica, depois de ter humilhado e abatido os heréticos por mar e terra; terá também santos e retos costumes, e maiormente se servirá no restaurar a fé e a disciplina eclesiástica, que o ímpio heresiarca [Lutero] com os seus infames satélites dissolveu.

Será forte na guerra e abaterá a qualquer coisa como um leão e, grandíssimo pelas vitórias conseguidas, reforçara a sua autoridade, e assim viverá muitíssimos anos, e humilhará os heréticos, as repúblicas e submeterá todos os povos ao seu poder e àquele da Igreja Latina; abaterá além disso, o Império dos Turcos (lançara no inferno a seita maometana) até restar-lhe um pequeno reino, que permanecerá, mas sem poder, até a vinda do filho da perdição [o Anticristo].

O restaurador “nascerá do seio da Igreja Católica, será enviado por Deus, e foi predestinado pela divina providência especialmente para consolar e exaltar a Igreja Latina então aflitíssima e grandemente desmotivada…” Este Monarca será assaz humilde e desde a adolescência caminhará na simplicidade de coração […] Por isso [pela sua humildade] ninguém poderá lhe causar dano ou resistir-lhe…”. “De fato, estirpados os heréticos, as superstições dos pagãos e dos Turcos, existirá um só Pastor e um só rebanho, e todos os príncipes se confederaram com ele com o estreitíssimo vínculo da fé católica e da amizade, já que tornará cada um o seu e nenhum deles oprimirá injustamente…” “Assim, o poder deste Monarca será total; o seu reino, de fato, será o sustento firmíssimo da casa, isto é, da Igreja Católica, e da sua dinastia real, uma vez que estabelecerá o seu reino para os seus descendentes (até a apostasia geral quando se revelará o filho da perdição [o Anticristo] e o seu poder resplandecerá pelo zelo da religião e da caridade para com Deus e o próximo, e como o fogo submete cada coisa, assim ele fará.”

Segundo o Venerável, o Monarca se servirá, novo Constantino, sob a autoridade do Sumo Pontífice, no favorecer e proteger um Concílio ecumênico, que restabelecerá na sua pureza a doutrina católica. Com os seus éditos mandará, além do mais, que todos os povos se submetam as deliberações da santa assise. Todavia, existirão aqueles que não irão querer obedecer as suas ordens e buscarão golpeá-lo, já que “o seu reino e a propagação da verdadeira fé não se firmaram sem barulho e confusão […] deliberaram de resistir-lhe e abatê-lo, mas uma vez que este Monarca será protegido por Deus, como se disse, tudo isto não lhe causará nenhum dano.”

 “Existirá uma grande agitação […] verdadeiramente esta obra de Deus [a restauração da civilização católica] não procederá sem grandes dificuldades, resistências e sem o sangue dos mártires, já que sempre o mundo, a carne e o diabo resistiram e resistiram as obras de Deus […] e esta confusão será movida inicialmente pelas potestades temporais, que resistiram com as armas ao Monarca e perseguirão aqueles que andam a converter os povos a fé católica, a qual dito Monarca ordenará de pregar e abraçar em todos os lugares.”

O restabelecimento da doutrina e da disciplina na Igreja também não será fácil: se terá “grande dificuldade entre a classe eclesiástica, quando viram completamente banidos os prazeres venéreos, a idolatria do ouro e da prata, e a vida ociosa.”

V

5a época e Revolução

 

O Ven. Holzhauser colheu perfeitamente, descrevendo o quinto estado da história eclesiástica, caracterizado pelo nascimento e pela difusão da heresia luterana e dos erros por essa promanados, a unicidade e substancial unidade daquele processo histórico-mundial de descristianização, que, tendo começado exatamente no Século XVI, foi justamente definido a Revolução.

No interior desse processo histórico podem certamente individuar-se etapas que lhe contradistinguem analiticamente e cronologicamente o desenvolvimento (o protestantismo, a revolução francesa, o comunismo, a crise neo-modernista da Igreja conciliar). Todavia, a revolução deve ser considerada, e é esta uma das suas notas mais importantes, como um bloco único.

Ensina, por exemplo, Leão XIII, “Aquele deplorável e funesto espírito de novidade que surgiu no século XVI, levou primeiramente a subversão da religião, passou depois naturalmente desta ao campo filosófico, e então para todas as ordens da comunidade civil.” E ainda, na Diuturnum de 29 de junho de 1881: “Foi da Reforma que nasceram, no século passado, a falsa filosofia e aquilo a que se dá o nome de direito moderno, bem como a soberania do povo e que desencadeou a licenciosidade, sem a qual muitos já não sabem distinguir a verdadeira liberdade”.

Pio XII, indicando a essência satânica do processo revolucionário, acrescenta: “Nestes últimos séculos [o inimigo da Igreja, o demônio] tentou operar a desagregação intelectual, moral, social, da unidade do organismo misterioso de Cristo. Quis a natureza sem a graça; a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; às vezes a autoridade sem a liberdade. É um ‘inimigo’ que se tornou sempre mais concreto, com uma crueldade que nos deixa ainda atônitos: Cristo sim, Igreja não [fase protestante]. Depois: Deus sim, Cristo não [racionalismo do século XVIII]. Finalmente o ímpio grito. Deus está morto; e, até: Deus jamais existiu [comunismo ateu e agnosticismo atual].”

Se o protestantismo, de fato, pode ser definido a etapa religiosa da revolução, os mesmos falsos princípios que lhe deram a luz (igualitarismo e liberalismo) se re-encontram também na sua fase “política” (revolução de 1789) com a sua aplicação na esfera temporal da civilização cristã.

O comunismo, por sua vez, III etapa da Revolução, não fez que difundir aqueles erros na esfera social, erros que depois, penetrados no próprio seio da Igreja católica, sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, lhe lançaram no terrível clima atual.

A revolução, então, “satânica na sua essência”, tem distinguido e caracterizado, para além dos momentos de êxtase ou de estratégica retirada, uma época da história do Ocidente cristão, a 5a idade de Holzhauser.

 

Esta época, se não se concluiu ainda de um ponto de vista meramente cronológico, aparece ao contrário finalizada ao menos sob o aspecto lógico-analítico. Depois da etapa da atual gravíssima crise religiosa neo-modernista, pareceria perfilar-se agora só a satanista, com a abominação da desolação, isto é, com o reino do Anticristo que quererá fazer-se passar pelo verdadeiro Messias e pretenderá ser adorado como Deus. Mas estes eventos, segundo Holzhauser e muitos outros, como se viu anteriormente e se verá em seguida, são previstos apenas para a última e sete idade da Igreja, aquela conclusiva, que deverá ser precedida por um grande reflorescimento da verdadeira religião.

VI

O Império Romano e o Islã

O 6º e conclusivo livro da Interpretatio – infelizmente permaneceu inacabado – é dedicada a exegese dos capítulos XII, XIII, XIV e XV do Apocalipse, comentando os quais o autor tem o modo de desenvolver maiormente o seu sistema, em particular naquilo que diz respeito ao acontecimento providencial do Império Romano, ou seja, do poder temporal a serviço da Igreja.

O demônio, como se sabe, é simia Dei, o macaco de Deus, imita, isto é, para o mal e com o fim malvado as obras de Deus. Ao verdadeiro Cristo, Homem-Deus e nosso Redentor Jesus, contrapõem o Anticristo, a verdadeira Igreja de Cristo, Católica Apostólica Romana, a falsa Igreja das heresias e aquela conciliar neo modernista atual. Assim, também ao seu reino social, o Império Romano, o diabo usa uma mesquinha confratação. Segundo Holzhauser, esta cópia feia do reino social de Cristo, é o Islã.

O Islã tem uma missão providencial, se bem que negativa, a realizar, que atravessa toda a história da Igreja, como encarnação do reino antisocial do demônio. O Islã é de fato, o “inimigo implacável e hereditário” do cristianismo, “e bem que a sua força em consolação da Igreja, ás vezes, deva ser aniquilada, todavia permanecerá algum reino seu, a fim de que não venha o filho da perdição, que o ressuscitará e sarará a sua ferida [ferida pelo grande Monarca da 6a época] e ele entrará e submetera a muitíssimos reinos e por último reinará e com ele Lúcifer levará a cumprimento o seu furor.”

A história das relações entre a Igreja de Cristo, o seu reino social (o Império Romano) e o islamismo é vista pelo comentador como uma continua e implacável guerra, que não terá fim se não com a conclusão da história: uma guerra “a mais cruel, a mais terrível e longuíssima, com que o Príncipe das trevas Lúcifer, se fosse possível, destruiria a Igreja.”

As vicissitudes desta guerra são simbolicamente reveladas, segundo o Venerável, na célebre visão da Mulher envolta no sol e na lua sob os seus pés do capítulo XII do Apocalipse: “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias.” (Ap. 12, 1-6)

Segundo o pio intérprete na mulher ameaçada pelo dragão se deve reconhecer primeiramente a Igreja militante e, secundariamente, a Monarquia universal do Império Romano, que estará sempre em luta contra o dragão vermelho, isto é, o demônio e seus acólitos. Naquilo que diz respeito ao filho macho que a Mulher dá a luz, acrescenta:

Este enigma da mulher, em trabalho de parto, se refere não a um só, mas a mais tempos, durante os quais Deus suscitará sempre homens, isto é, Imperadores, Reis e Príncipes, que defenderam a Igreja e o Império Romano, a fim de que esta besta cruenta não lhe devore de todo.

O dragão vermelho, de fato, a besta sedenta de sangue, que ameaça a Mulher-Igreja, é na sua histórica manifestação o Império Maometano, ou turco, qual besta fortíssima não cessa por diabólico instinto de perseguir os cristãos, com “o único fim de exterminar a Cristandade e o Império Romano”.

O Império Romano, depois da conversão de Constantino e o fim das perseguições, foi definitivamente adquirido pela Igreja, e é o seu reino social. Claro que isso, divinamente instituído e, segundo a promessa do seu Divino fundador, pela sua natureza indefectível, não tem necessidade absoluta, no desenvolvimento de sua missão sobrenatural, da colaboração com o poder temporal, como demonstra a história do cristianismo dos primeiros séculos, e como provam também nestes últimos tempos, que viram o progressivo abatimento do Reino social de Cristo, com o desaparecimento do Sacro Império (1806) legítimo herdeiro e continuar daquele Romano, das principais monarquias e Estados católicos, até a queda do Império Habsburgo em 1918, em que o último Soberano, o Imperador e Rei Carlos (1883-1922) foi ainda o último a ser consagrado e ungido pela Igreja more antiquo, como Rei Apostólico da Hungria (1916).

Se o Império Romano é o reino social de Cristo, também o diabo quis criar para si  o seu anti-reino. A primeira manifestação deste falso domínio de Satanás o Autor reconhece no Império persa de  Cosroes, que, depois do nascimento e difusão da Igreja, foi o primeiro pagão a conquistar a Síria, Jerusalém e os Lugares Santos,  onde também tomou  a madeira da Santa Cruz. A Mulher-Igreja, porém, dá a luz um homem, isto é o Imperador Eráclio, que em 628 derrota em uma memorável batalha os persas, recuperou a verdadeira Cruz e reconquistou momentaneamente Jerusalém. Eráclio, todavia, caiu depois na heresia monotelita, foi abandonado por Deus, e o seu reino terminou miseravelmente. O verdadeiro anti-reino do demônio nasce dali a pouco e foi aquele fundado por Maomé, que permanecerá até o reino do Anticristo, como já se acenou.

A consequência mais grave que se acompanhou a difusão do Islã, foi a queda da “terça parte das estrelas do céu” isto é, da Igreja oriental, em punição do seu espírito cismático, que foi abandonada nas mãos dos muçulmanos e que perde também a coroa imperial, com a tomada de Constantinopla por parte dos turcos em 1453. Por isso a Mulher-Igreja se cercou de uma nova sede e “fugiu para o deserto”, ao que Holzhauser comenta: “Uma vez que Deus viu que a condição dos Cristãos e do próprio Império do Oriente, pelos pecados e malícias dos homens, não teria podido subsistir diante da besta que estava para surgir [o Islã], e que a própria fé católica corria o risco de se obscurecer pouco a pouco por causa da sua soberba e arrogância contra a Sé Romana por muitos tenebrosos erros, heresias e cismas, transferi sua Igreja, e pouco depois também o Império Romano para a Alemanha, que jazia ainda em grande parte sepulta no erro do paganismo e adorava os ídolos.

A Alemanha e em geral a Europa Ocidental é precisamente o “deserto” onde a Mulher-Igreja busca e encontra refúgio. Depois da conversão daqueles povos, pelo zelo e o martírio de muitos santos, aquelas plagas mereceram se tornar a nova sede do Império Romano. E então o filho homem a que deu a luz a mulher é sobretudo Carlos Magno, que “a Igreja deu a luz no ano 800, erguendo-o ao Império Romano, primeiro imperador de estirpe alemã, que de modo maravilhoso ajudou, exaltou, enriqueceu, defendeu, e dilatou a Igreja Latina e Ocidental.” Desse modo, Holzhauser reconhecei da Traslatio Imperi do Oriente ao Ocidente, e da estirpe grega àquela alemã, nestes célebres versículos do Apocalipse. Além disso, segundo o mesmo autor, esta traslação é irrevogável, uma vez que em Carlos Magno, reconhecido ainda na magna Águia do versículo 14 do mesmo capítulo, o Império Romano “foi transferido aos Alemães, como serão todos os Imperadores, até ao último, que deverão reinar.”

 “Assim a Igreja de Cristo fugindo do Oriente da face da serpente, pôs o seu ninho no Ocidente, e gerou para Deus mil milhares para a vida eterna, segundo o beneplácito do Pai por meio do seu Filho Jesus estabelecido na eternidade […] Desse modo, a Igreja de Cristo terá no Ocidente a liberdade de professar sempre a fé católica ‘com as asas da grande águia’ isto é, graças a potestade e a proteção do Império Romano, com quem sempre voará, e possuirá o seu ninho, para conduzir o cumprimento da sua geração segundo o beneplácito de Deus; todos os imperadores até ao último verdadeiramente serão católicos.”

VII

O Santo Pontífice e o estado sacerdotal na 6a época

No fim do seu comentário ao Apocalipse, dedicado em sua maior parte a descrição do último tempo da Igreja, isto é, àquele do Anticristo, o Venerável, todavia, acreditou entrever em alguns outros  versículos não equívocas alusões a restauração da sexta época, por aquilo que em particular diz respeito a condição do clero.

Os versículos 6 e 7 do capítulo 14 do Apocalipse falam de um anjo que voa no meio do céu um anjo eterno “de evangelizar a quantos tem sede sobre a terra e a toda nação, tribo, língua e povo.” O espírito celeste grita a grande voz: “Temeis a Deus e dai-lhe glória, porque é vinda a hora do seu juízo e adorais aquele que fez o céu e a terra…”

A pregação deste anjo – escreve Holzhauser – deve se referir a dois tempos: o primeiro será quando as pessoas, os povos as línguas e os Reis retornarem a fé católica […] e na execução disso a classe apostólica dos sacerdotes ajudará grandemente a Igreja, como também na conversão ao Senhor Deus dos pecadores por meio de uma verdadeira penitência, e isto acontecerá antes que a besta (o império turco [o Islã] receberá a ferida, e cairá pela primeira vez a Babilônia, ou seja, o reino dos gentios.” O segundo momento se refere a ultima pregação depois da queda do Anticristo

O anjo então avistado por S. João no meio do céu com o Evangelho eterno “é a classe sacerdotal (ou melhor, o próprio S. Miguel em sua pessoa) que nos últimos tempos segundo o beneplácito de Jesus Cristo seu fundador florescerá, e criará as penas, e penas se acrescentaram a penas, e se formaram as asas e surgirá e progredirá e se erguerá e voará no meio do céu”, ou seja, no meio da Igreja militante, “que adornará e alegrará com a sua santa e apostólica presença.”

A futura extirpação da heresia: assim se intitula o parágrafo que contém o comentário aos versículos 14-20 do XIV capítulo. Este trata de uma visão, que tem por protagonista um “filho do homem” coroado e sentado sobre uma “cândida nuvem” com uma foice na mão. Um anjo, que desce do templo, o apostrofa a grande voz, gritando-lhe para usar a foice, porque o tempo da colheita é agora chegado, “e a terra foi ceifada.”

Nesta imagem da colheita o comentador reconhece “a futura extirpação e destruição dos heréticos e dos povos turcos, que acontecerá sob aquele grande Monarca que deve vir e o Santo Pontífice, já que, ainda uma vez mais, Deus consolará a sua Igreja, antes que chegue o tempo das trevas, pleno de escuridão, que será a extrema tribulação do Anticristo.

Aquele que senta, de fato, sobre a cândida nuvem, “é o forte Monarca, já que o seu reino, indicado pelo verbo ‘sentar’, será santo, e estabelecido pela proteção do Deus Altíssimo.” Ele é definido filho do “homem”, “pela similaridade das grandes e árduas virtudes, com que imitará o seu salvador Jesus Cristo; será de fato, humilde, manso, veraz, amante da justiça, forte na guerra, sapiente, e zelador da glória divina; se cumpriram nele em um certo modo as palavras de Isaías que dizem respeito ao Messias no cap. XI: Repousará sobre ele o espírito da sapiência, do intelecto, espírito de conselho, e fortaleza, espírito de ciência e piedade, e o Espírito do temor do Senhor o preencherá.” Ele aparece coroado “uma vez que, será um grande Rei, rico e poderoso, e será o Senhor dos Senhores, vencerá os Reis das gentes, e será repleto da caridade de Deus.

A foice que tem na mão, ao invés, “é o seu grande e fortíssimo exército, com que transpassará os reinos das gentes, e as repúblicas, e as cidades fortificadas […] e nenhuma batalha será sem morte de inimigos ou sem vitória.” O Condutor tem em punho a foice, isto é, o seu poderoso exército, e o dirigirá, como ocorreu com Alexandre Magno, onde quiser, e será perfeitamente obedecido, os seus soldados grandemente o amaram, e operaram grandes, estupendas e maravilhosas empresas.

Quem incita o Monarca a guerra é o anjo que desce do templo. “É o famoso grande Pontífice, que Deus suscitará naqueles dias, e que por inspiração divina exortará e induzirá o Monarca a cumprir aquela guerra sacra. A sua voz estridente é aquela “de quem exorta com veemência a guerra, ou seja, a erradicar o joio dos heréticos e dos turcos. […] Plena é a medida dos pecados e das abominações – gritará – pelo que vem, e é agora o tempo de dilacerar e erradicar-lhes da terra. E isto o Pontífice conhecerá pela divina revelação, pelo que exitará os corações dos Príncipes e lhes confirmará a intervir na guerra, Deus excitará os corações dos soldados, que se unirão por um mesmo espírito ao forte Monarca.”

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