O fundador

Extratos do sermão pronunciado pelo Rev. Padre Emanuel Du Chalard
na missa de corpo presente de Dom 
Putti, 24 de dezembro de 1984.

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Dom Francisco Maria Putti

Roma       Sarzana      Velletri
3/4/1909     29/6/1956    21/12/1984

…Dom Putti nasceu em Roma, numa família numerosa e não escondia sua admiração pela piedade religiosa de seus pais. Por mais de vinte anos foi filho espiritual do Padre Pio, mantendo um íntimo relacionamento espiritual com ele.
Encorajado por Padre Pio, foi ordenado padre aos 47 anos de idade e quis celebrar sua primeira missa no altar onde costumava celebrar seu pai espiritual, na igreja de São Giovanni Rotondo.
Por causa de sua enfermidade, nunca teve um ministério paroquial, mas se dedicou por mais de 15 anos ao ministério da confissão: foi confessor em Avelino, Salermo e Nápolis. Incansável, passava horas e horas ao confessionário, diante do qual se formava uma longa fila de penitentes. E sempre pronto para administrar este Sacramento. Nem o cansaço, nem o sofrimento, nem a doença o levaram a abandonar esta prontidão pelas almas.
Este aspecto é ignorado de quem não o conheceu como confessor. Mas quem se confessava com ele ou era por ele dirijido espiritualmente pode dizer de seus dons certamente sobrenaturais. Dava segurança e tranqüilidade às almas. Quando tinha certeza da vontade de Deus sobre uma. alma, queria que o mais rápido possível a alma o realizasse, mesmo diante de grande sacrifício. Mas ele, com sua bondade e infinita caridade, ajudava a alma a superar todos os obstáculos. Para inúmeros fiéis, principalmente para muitos padres e seminaristas foi um verdadeiro Pai.
Entre tudo ficou muito conhecido seu grande apostolado contra o modernismo, com sua revista Si Si No No.
Depois do Concilio, vendo os frutos para a Igreja e para as almas, sua própria alma não teve descanso enquanto não pode concretizar esta obra. Era contra seu temperamento ficar inativo e sem fazer nada. Seu coração, cheio de amor pela Santa Igreja Romana, sofria diante desta autodemolição.
E o que ele fez com Si Si No No? Defendeu a Igreja, defendeu o depósito da Revelação em toda sua pureza e integridade. Por amor a Nosso Senhor e a Santa Igreja não aceitou nenhum compromisso que pudesse manchar a ortodoxia de Sua doutrina. E como o realizou? Dizendo publicamente e sem medo aquilo que muitos diziam em segredo; dizendo em voz alta e clara o que muitos pensavam, denunciando a heresia, o erro, a negligência em preservar a sã doutrina, da parte daqueles que não tinham força nem coragem de faze-lo. E sobretudo, um constante apelo às autoridades para que fizessem seu dever.
E não podemos nos contentar deste aspecto já tão meritório e nobre, da defesa da honra da Igreja. Ele foi antes, ao menos no mundo católico, um farol na tempestade, uma luz nas trevas.
Por isso, seu jornal foi um conforto, um sustentáculo, um encorajamento para tantos e tantos sacerdotes, até mesmo para bispos, sem falar dos fiéis, que acharam em Si Si No No uma âncora de salvação na tormenta.
Si Si No No foi feito primeiro para Roma, coração da Igreja; rapidamente ficou conhecido em toda a Itália, depois na Europa, e nesses últimos anos, em todo o mundo católico. Ele foi sua grande obra e sua última preocupação. De meses para cá, sabendo que o chamado do Senhor se aproximava, tomou todas as precauções para que sua obra pudesse continuar.
 Neste último mês, sua consolação foi de ver sair regularmente o jornal. Assim que terminava a impressão da primeira cópia, esta lhe era levada e seu semblante se iluminava. Para ele, era o sinal de que a santa batalha continuava.
Caro Dom Francisco, mesmo se fostes para a eternidade, vossa obra continuará, pois está agora mais forte, por sua intercessão junto aos santos, à Nossa Senhora e a Deus. Podeis agora guiá-la melhor E no que depender de nós, lhe prometemos continuar fazendo o melhor possível esta obra, sem nunca trair a orientação antimodernista que imprimistes nela.
Estejamos agora unidos à grande oração da Igreja pela salvação da alma de nosso defunto. Especialmente pela Santa Missa, que ele amava tanto e à qual teve de renunciar com tanto sacrifício no último mês de sua doença.
Supliquemos a Nosso Senhor que leve sua alma para o céu o quanto antes para que possa gozar da eterna felicidade. E dirijamos esta súplica, antes de tudo, à Virgem Santíssima, por quem Dom Fran­cisco tinha tanta devoção
Insisto para que rezem por ele, que considerava uma desgraça que se falasse das virtudes de uma pessoa morta sem se lembrar da rezar por ela. Em troca do bem que ele nos fez, procuremos não desapontá-lo, dando-lhe o benefício de nossas orações. Amém.
 

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